Oi, está difícil aqui também.
- Fabianna Lima

- 27 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de mai. de 2020
Oi, você aí!
Não vou perguntar se você está bem, não hoje. Talvez esteja apenas como eu, cansadx…
Antes de começar eu queria te mostrar minha playlist, é, pois é, eu gosto muito de fazer as minhas próprias listas de música, e fiz essa aqui durante a quarentena:
Agora, o que eu queria mesmo era desaba(r)far.
Eu me sinto sufocada nessa realidade que mais parece surreal, onde estou farta de usar a internet seja para estudar, me entreter ou abstrair. Hoje, enquanto conversava com uma amiga, ouvi ela dizer que usa a desculpa de que o notebook está na tomada pra ir dormir, ou simplesmente ficar na cama. Outro amigo me disse que apenas o ato de ligar o computador pra fazer algum trabalho, ou assistir às aulas, traz sintomas de ansiedade. Ansiedade essa que eu, por exemplo, já convivo há anos e só tem se tornado mais difícil sem a possibilidade de terapia.
Rolar os intermináveis feeds das redes sociais, abrir a geladeira/armário sei lá eu quantas vezes durante o dia, horários totalmente bagunçados — eu seria a única assustada com a quantidade de posts depois das 3/4h da manhã no status do whatsapp?! É um constante estado de zumbi, como se estivéssemos vivendo mecanicamente até mesmo nas poucas atividades de prazer que nos sobraram para fazer dentro de casa. Não consigo assistir filmes, ou séries que já tinha começado (e gostado!), enquanto conheço pessoas que assistem uns dez filmes por dia, e viram de cabeça pra baixo os catálogos de streaming.
Meus melhores amigos e eu temos evitado assuntos desgastantes, como noticiário, pandemia e perguntas como “tudo bem? como tá?” porque simplesmente já não dá mais. O que agora me lembra a "época" em que eu mutava o som da televisão quando passava os comerciais sobre o vestibular. Gatilhos.
Me esforço pra falar com a minha família com certa regularidade (especialmente a minha mãe), embora deteste falar ao telefone, porque eu sinto muita falta delas. Com amigos também, pra tentar nos manter sãos (e salvos?). Lembra da ansiedade que comentei? Então, há algumas semanas atrás tive uma crise durante uma video chamada com a minha melhor amiga que mora há 1963 km de distância (Salvador-BA). Difícil, sim. Mas agora, enquanto escrevo aqui, sentada na cama em uma posição incrivelmente desconfortável, eu estou bem.

Só por desencargo: eu avisei lá no começo que era um desabafo, certo?
* checando * Opa, sim.
Se você se sente na mesma, ou de alguma forma próxima… Sem problemas, mesmo que seja uma grande merda(!), você não está só. Assim como eu não estou. Eu sei lá, tento me agarrar aos momentos bons, como Harry Potter conjurando um patrono, sabe? (Não? Ok, ninguém é obrigado a ser potterhead, hahaha).
O que eu quero dizer agora — depois de ter colocado algumas coisas pra fora — é que está tudo bem não estar tudo bem hoje, e talvez ontem também não estivesse, mas quem sabe amanhã? Não se engane, não estou tentando te empurrar um discurso clichê de coach que vai, sim, ficar tudo bem logo, basta apenas acreditar e esperar. Mas, pessimismo de lado, fiquemos apenas com o realismo e um pouco de esperança, vai?

Olha, ontem eu demorei horas pra dormir, cabeça girando em um milhão de pensamentos, daí acordei praticamente depois do horário de almoço e me arrastei o resto do dia sem qualquer vontade de algo com coisa nenhuma, pra baixo mesmo… Mas hoje, foi razoavelmente melhor: consegui dormir, tarde, mas sem esforço, acordei super cedo pra tomar café da manhã (comer é um prazer inenarrável), fiz uma maratona, repito, maratona, de uma série nova que me divertiu demais, li um livro daora, e agora tô aqui. Avancei, não? Bom, hoje foi suficiente pra mim.
O que é suficiente pra você?
(Não precisa se empertigar aí do outro lado, deixei essa só pro teu subconsciente trabalhar ;)
Finalizo aqui com esse vídeo massa que assisti ontem antes de dormir, tire suas próprias conclusões e fique na paz (se der):
Até mais,
Fabianna e Giovanna.



Olá!
Que texto maravilhoso, me fez sentir que não sou a única que as vezes não está bem e tudo bem, pois estamos vivendo algo nunca antes vivido por nós, não é nada fácil viver um momento histórico, rs. Mas ao me conectar com vocês por meio desse texto quero deixar aqui registrado que já me trouxe um pouco de esperança e me senti acolhida. Só pra constar, amei a playlist. Beijos, abraços e sorrisos,l quando der.
Não é algo que ninguém esperava, acho que todo mundo saiu um pouco da órbita com isso. Conforta um pouco saber que não estamos sozinhos nessa
Essa tem sido a fase mais complicada da minha vida. Tudo se tornou incerto. Estou conhecendo uma parte de mim que é o oposto da imagem que eu gostaria de ter. Estou passando o dia calada, troco meia dúzia de palavras com a minha mãe e só. Não tenho mais paciência em entrar nas minhas redes sociais, apesar de passar a maior parte do dia rolando o feed. Não consigo dormir sozinha no escuro, ou passo a noite acordada e só durmo quando o sol nasce, ou vou para a casa do meu namorado para não ficar sozinha (tento não pensar na culpa de estar quebrando a quarentena ao fazer isso). Eu me sinto dentro de Black Mirror, parece que…
Olá!
Bem, eu gostaria de agradecer por esse post. Sim, nós sabemos que não estamos sozinhos e que várias pessoas estão passando por situações parecidas, mas as vezes a angústia é tanta que você não enxerga isso. Esse post me lembrou mais uma vez, que não sou só eu, que tem pessoas que estão no mesmo barco (clichê, mas é só pra exemplificar) que eu. Antes de ontem me peguei pensando em qual o sentido de viver nesse mundo sendo que tudo passa tão rápido e eu não tenho controle sobre nada, não tô fazendo nada de produtivo. Aí entrei em outra crise existencial, só queria que aquilo acabasse e que eu pudesse dormir para não sentir. No outro dia,…
Não vou perguntar se estão bem, concordo com vocês. Difícil fazer essa pergunta, se pensarmos na questão saúde, não fui contaminada pelo vírus tudo bem! Mas por outro lado, tá difícil.....
Eu me vi na situação de ansiedade apenas pelo fato de ligar o notebook para preparar atividades para os meus alunos....e o fato do celular estiver com bateria quase descarregada ou o notebook já é motivo para dar uma pausa!
Tempos difíceis... Adorei o vídeo, acredito que tudo e passageiro. Me faz bem e me ajuda pensar que sairemos pessoas melhores, que tudo isso vai passar e adorei o final "vamos ignorar esse traste" Acho que isso no ajuda muito, ignora lo, pois haja saúde mental!!!